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Os farmacêuticos analistas clínicos no combate à pandemia

Daniel Barreira é um jovem farmacêutico que, após ter finalizado o Mestrado em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Lisboa em 2014, ingressou na área das Análises Clínicas. Assumiu o laboratório da família e está atualmente responsável para gestão estratégica do mesmo. Entusiasta das Análises Clínicas e membro da Direção da Associação Portuguesa de Analistas Clínicos (APAC), acredita que esta é uma área desafiante a qualquer profissional, tanto do ponto de vista científico, como do ponto de vista da gestão.

O laboratório clínico onde Daniel trabalha conta com 64 anos de história e é composto atualmente por dois laboratórios e 35 postos de colheita. O farmacêutico destaca a elevada capacidade técnica do laboratório, fruto de uma aposta da empresa no desenvolvimento tecnológico, por exemplo na Patologia Molecular, que recentemente se mostrou decisiva na resposta à situação de pandemia. Sobre o assunto, refere que cedo se tornou evidente que os laboratórios de análises clínicas seriam estruturas chave para apoio no combate à pandemia, nomeadamente, na realização de testes moleculares de diagnóstico laboratorial e, numa fase posterior, na realização de análises serológicas.

Compreendendo esta responsabilidade, e após a validação por parte do INSA de que os laboratórios nos quais trabalha têm a experiência, os recursos necessários e adequados e os profissionais habilitados para a realização destas análises, foi iniciado o processo de implementação, através da integração na Rede Nacional de Laboratórios de Referência da DGS para o diagnóstico laboratorial do SARS-CoV-2 e através da montagem de dois centros especializados para a colheira de amostras.

O analista clínico refere que, numa primeira fase, alguns desafios tiveram de ser ultrapassados, nomeadamente, a falta em Portugal de zaragatoas para colheira, de reagentes para extração de ácidos nucleicos e testes para realização da técnica de PCR-TR. Após ultrapassar estas adversidades, o laboratório iniciou o diagnóstico laboratorial dos vírus em lares e IPSS’s. Num segundo momento, em articulação com as Administrações Regionais de Saúde e Municípios, foi criada uma rede de apoio que recebeu casos suspeitos referenciados pela linha SNS24 e pelos cuidados de saúde primários. Daniel destaca que, no pico da pandemia, chegaram a ser efetuadas cerca de 300 testes de deteção do SARS-CoV-2 por dia.

Apesar de uma diminuição de cerca de 80% no número de atos diários em análises clínicas, Daniel reforça a importância de continuar a assegurar o controlo de outras patologias crónicas, para que não ocorra o agravamento ou descompensação das mesmas.

O jovem farmacêutico considera que o valor do farmacêutico analista clínico é enorme no laboratório, dada a excelência da preparação técnica e científica e a história no desenvolvimento profissional do laboratório clínico, comparativamente a outros profissionais.

Por último, considera que a resposta dada pelos laboratórios de análises clínicas na pandemia de covid-19, vem realçar a sua importância no Serviço Nacional de Saúde, tanto em situações limite como a que vivemos atualmente, mas também, na deteção, prevenção, monitorização e controlo de doenças pelo aumento do acesso dos portugueses ao diagnóstico essencial e a cuidados de saúde próximos, de qualidade e em tempo útil.

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